A decisão do Copom de junho de 2026 foi unânime: corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 10,25% ao ano. A unanimidade, após meses de divisões no comitê, foi interpretada pelo mercado como sinal de que o consenso em torno do ciclo de cortes se consolidou.

Mas a questão que divide economistas e gestores de portfólio não é se haverá mais cortes — é até onde vai a Selic e em que velocidade.

O cenário base

A mediana das projeções do mercado, segundo o Boletim Focus do Banco Central, aponta para uma Selic de 9,5% ao final de 2026 e 9,0% ao final de 2027. Isso implicaria mais dois ou três cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do segundo semestre.

Esse cenário pressupõe que a inflação continuará convergindo para a meta — atualmente 3% com banda de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. O IPCA acumulado em 12 meses até maio de 2026 era de 4,2%, ainda acima do centro da meta, mas dentro da banda.

Os riscos

O principal risco para o cenário de cortes é a inflação de serviços, que permanece persistentemente acima da meta. Serviços respondem por cerca de 35% do IPCA e são fortemente influenciados pelo mercado de trabalho — que, em 2026, continua aquecido, com desemprego em 6,8%, o menor nível desde 2013.